{"id":1646,"date":"2017-11-30T21:31:24","date_gmt":"2017-11-30T21:31:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/?p=1646"},"modified":"2017-11-30T21:31:24","modified_gmt":"2017-11-30T21:31:24","slug":"indenizacao-a-acionista-retirante-feita-por-valor-justo-de-mercado-nao-viola-lei-das-s-a","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/indenizacao-a-acionista-retirante-feita-por-valor-justo-de-mercado-nao-viola-lei-das-s-a\/","title":{"rendered":"Indeniza\u00e7\u00e3o a acionista retirante feita por valor justo de mercado n\u00e3o viola Lei das S.A."},"content":{"rendered":"<div>\n<h1 id=\"frmPrincipal_h1TituloDoc\">Indeniza\u00e7\u00e3o a acionista retirante feita por valor justo de mercado n\u00e3o viola Lei das S.A.<\/h1>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<p>A utiliza\u00e7\u00e3o do valor justo de mercado como par\u00e2metro para indenizar as a\u00e7\u00f5es de acionista retirante em caso de incorpora\u00e7\u00e3o de companhias n\u00e3o fere a Lei das Sociedades An\u00f4nimas, e \u00e9 poss\u00edvel nos casos em que o valor do patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil da empresa incorporada n\u00e3o reflita fielmente o valor daquelas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Com base nesse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) negou recurso de empresa incorporadora que utilizou como par\u00e2metro de indeniza\u00e7\u00e3o o valor de patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil da incorporada.<\/p>\n<p>A empresa foi condenada pelo Tribunal de Justi\u00e7a do Rio de Janeiro (TJRJ) a pagar a diferen\u00e7a entre o valor das a\u00e7\u00f5es com base no patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil e o valor justo de mercado.<\/p>\n<p>Crit\u00e9rios diferentes<\/p>\n<p>De acordo com a empresa recorrente, a Lei das S.A. disciplina crit\u00e9rios diferentes para a troca de a\u00e7\u00f5es para quem continua na sociedade e para o ressarcimento aos retirantes, sendo natural que o valor de troca seja mais vantajoso.<\/p>\n<p>Segundo o ministro relator do recurso, Villas B\u00f4as Cueva, a decis\u00e3o do TJRJ foi correta ao permitir a utiliza\u00e7\u00e3o do valor justo de mercado, j\u00e1 que nem sempre o valor do patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil reflete a realidade da empresa que est\u00e1 sendo incorporada.<\/p>\n<p>O ministro destacou que, para os casos de exerc\u00edcio do direito de retirada em decorr\u00eancia de incorpora\u00e7\u00e3o de companhia controlada pela controladora, o legislador previu prote\u00e7\u00e3o adicional ao acionista minorit\u00e1rio tendo em vista a inexist\u00eancia de duas maiorias acion\u00e1rias distintas a deliberar separadamente acerca da opera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Preju\u00edzo<\/p>\n<p>A empresa incorporadora pagou aos acionistas minorit\u00e1rios retirantes R$ 11,89 por a\u00e7\u00e3o da empresa incorporada, de acordo com o crit\u00e9rio do patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil. Para os acionistas que permaneceram na sociedade, no caso de troca de a\u00e7\u00f5es, a incorporadora utilizou o valor justo de mercado, correspondente a R$ 39,56 por a\u00e7\u00e3o. Tal diferen\u00e7a, segundo o ministro Villas B\u00f4as Cueva, representou preju\u00edzo ao grupo que deixou a sociedade.<\/p>\n<p>&#8220;No caso dos autos, contudo, \u00e9 incontroverso que a rela\u00e7\u00e3o de substitui\u00e7\u00e3o prevista no protocolo de incorpora\u00e7\u00e3o foi mais vantajosa, de modo que n\u00e3o foi permitido aos acionistas minorit\u00e1rios o exerc\u00edcio da op\u00e7\u00e3o de que trata o referido dispositivo legal. Logo, o pagamento do reembolso deve ser analisado sob a \u00f3tica da regra geral insculpida no artigo 45&#8221;.<\/p>\n<p>Piso m\u00ednimo<\/p>\n<p>A previs\u00e3o legal de utiliza\u00e7\u00e3o do valor do patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil como base para o ressarcimento, segundo o relator, representa um piso, &#8220;um m\u00ednimo a ser observado&#8221;. Villas B\u00f4as Cueva destacou que h\u00e1 diversas situa\u00e7\u00f5es em que o crit\u00e9rio m\u00ednimo se mostra inadequado para fins de aferi\u00e7\u00e3o do valor das a\u00e7\u00f5es, e nesses casos deve-se eleger um crit\u00e9rio distinto, mais vantajoso aos acionistas retirantes.<\/p>\n<p>&#8220;Em todos esses casos, o c\u00e1lculo da a\u00e7\u00e3o, para fins de reembolso do acionista dissidente retirante com base no patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil, poder\u00e1 ser muito inferior ao real valor das a\u00e7\u00f5es e n\u00e3o servir sequer para reaver o capital investido&#8221;, afirmou o ministro.<\/p>\n<p>A Terceira Turma ressaltou que o tribunal de origem analisou atentamente a incorpora\u00e7\u00e3o e concluiu que o valor calculado com base no patrim\u00f4nio l\u00edquido cont\u00e1bil n\u00e3o refletia o valor real das a\u00e7\u00f5es em poder dos acionistas minorit\u00e1rios, portanto foi correta a utiliza\u00e7\u00e3o do valor justo de mercado.<\/p>\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s): REsp 1572648<\/p>\n<div id=\"frmPrincipal_fonteDoc\">Fonte: Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Indeniza\u00e7\u00e3o a acionista retirante feita por valor justo de mercado n\u00e3o viola Lei das S.A. 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