{"id":2558,"date":"2021-11-11T11:39:23","date_gmt":"2021-11-11T11:39:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/?p=2558"},"modified":"2021-11-11T11:39:23","modified_gmt":"2021-11-11T11:39:23","slug":"tribunal-impede-eficacia-retroativa-de-escritura-que-fixou-separacao-de-bens-apos-uniao-estavel-de-35-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/tribunal-impede-eficacia-retroativa-de-escritura-que-fixou-separacao-de-bens-apos-uniao-estavel-de-35-anos\/","title":{"rendered":"Tribunal impede efic\u00e1cia retroativa de escritura que fixou separa\u00e7\u00e3o de bens ap\u00f3s uni\u00e3o est\u00e1vel de 35 anos"},"content":{"rendered":"<header>\n<h1><\/h1>\n<\/header>\n<article>Com base nas disposi\u00e7\u00f5es do artigo 1.725 do C\u00f3digo Civil, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reconheceu a impossibilidade de se dar efic\u00e1cia retroativa a uma escritura p\u00fablica firmada em 2015, por meio da qual os ent\u00e3o companheiros reconheceram uma uni\u00e3o est\u00e1vel de 35 anos e fixaram o regime de separa\u00e7\u00e3o dos bens constitu\u00eddos durante a rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para o colegiado, a formaliza\u00e7\u00e3o posterior da uni\u00e3o est\u00e1vel com ado\u00e7\u00e3o de regime distinto daquele previsto pelo C\u00f3digo Civil para os casos em que n\u00e3o h\u00e1 manifesta\u00e7\u00e3o formal \u2013 a comunh\u00e3o parcial de bens \u2013 equivale \u00e0 modifica\u00e7\u00e3o de regime de bens na const\u00e2ncia do relacionamento, produzindo efeitos apenas a partir da elabora\u00e7\u00e3o da escritura (efic\u00e1cia ex nunc).<\/p>\n<p>De acordo com os autos, a rela\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 1980, mas a primeira escritura de uni\u00e3o est\u00e1vel s\u00f3 foi lavrada em 2012. Nesse primeiro documento, houve apenas a declara\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de uni\u00e3o est\u00e1vel \u2013 que, \u00e0 \u00e9poca, j\u00e1 durava cerca de 33 anos \u2013, sem disposi\u00e7\u00e3o sobre o regime de bens.<\/p>\n<p>Na escritura firmada em 2015 \u2013 tr\u00eas meses antes do falecimento da companheira \u2013, al\u00e9m da declara\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia da uni\u00e3o est\u00e1vel, definiu-se que, na forma do artigo 1.725 do C\u00f3digo Civil, todos os bens e direitos configuravam patrim\u00f4nio incomunic\u00e1vel dos conviventes.<\/p>\n<p>Na a\u00e7\u00e3o que deu origem ao recurso, a filha da convivente buscou a anula\u00e7\u00e3o da escritura p\u00fablica firmada em 2015, sob a alega\u00e7\u00e3o de que a manifesta\u00e7\u00e3o de vontade de sua m\u00e3e n\u00e3o se deu de forma livre e consciente, e de que seria inadmiss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de escritura p\u00fablica de uni\u00e3o est\u00e1vel com efic\u00e1cia retroativa.<\/p>\n<p>Escritura de uni\u00e3o est\u00e1vel modificativa n\u00e3o pode retroagir<\/p>\n<p>O pedido de anula\u00e7\u00e3o foi julgado improcedente em primeira inst\u00e2ncia, senten\u00e7a mantida pelo Tribunal de Justi\u00e7a de Mato Grosso do Sul (TJMS). Para o tribunal, n\u00e3o seria poss\u00edvel a declara\u00e7\u00e3o de nulidade do neg\u00f3cio jur\u00eddico sem a comprova\u00e7\u00e3o de v\u00edcio nos elementos de validade da declara\u00e7\u00e3o, e seria poss\u00edvel a lavratura de escritura p\u00fablica meramente declarat\u00f3ria do regime de bens eleito pelos conviventes, ainda que em car\u00e1ter retroativo.<\/p>\n<p>Segundo a relatora do recurso no STJ, ministra Nancy Andrighi, o C\u00f3digo Civil prev\u00ea que, embora seja dado aos companheiros o poder de dispor sobre o regime de bens que reger\u00e1 a uni\u00e3o est\u00e1vel, ocorrer\u00e1 a interven\u00e7\u00e3o estatal na defini\u00e7\u00e3o desse regime quando n\u00e3o houver a disposi\u00e7\u00e3o dos conviventes sobre o assunto, por escrito e de forma expressa.<\/p>\n<p>&#8220;Dessa premissa decorre a conclus\u00e3o de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel a celebra\u00e7\u00e3o de escritura p\u00fablica modificativa do regime de bens da uni\u00e3o est\u00e1vel com efic\u00e1cia retroativa&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Sil\u00eancio n\u00e3o significa aus\u00eancia de regime de bens<\/p>\n<p>Nancy Andrighi apontou que a aus\u00eancia de contrato escrito convivencial n\u00e3o pode ser equiparada \u00e0 falta de regime de bens na uni\u00e3o est\u00e1vel n\u00e3o formalizada, como se houvesse uma lacuna pass\u00edvel de posterior preenchimento com efic\u00e1cia retroativa.<\/p>\n<p>No caso dos autos, afirmou a ministra, a uni\u00e3o est\u00e1vel mantida entre as partes sempre esteve submetida ao regime normativamente institu\u00eddo durante a sua vig\u00eancia. Al\u00e9m disso, a magistrada salientou o fato da exist\u00eancia de escritura p\u00fablica lavrada em 2012, em que as partes, embora confirmassem a longa uni\u00e3o, n\u00e3o dispuseram sobre os bens reunidos na sua const\u00e2ncia.<\/p>\n<p>&#8220;O sil\u00eancio das partes naquela escritura p\u00fablica de 2012 n\u00e3o pode, a meu ju\u00edzo, ser interpretado como uma aus\u00eancia de regime de bens que somente veio a ser sanada pela escritura p\u00fablica lavrada em 2015. O sil\u00eancio \u00e9 eloquente e se traduz na submiss\u00e3o das partes ao regime legal, de modo que a escritura posteriormente lavrada efetivamente modifica o regime ent\u00e3o vigente&#8221;, concluiu a ministra ao reformar o ac\u00f3rd\u00e3o do TJMS.<\/p>\n<p>Esta not\u00edcia refere-se ao(s) processo(s):<\/p>\n<p>REsp 1845416<\/p>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base nas disposi\u00e7\u00f5es do artigo 1.725 do C\u00f3digo Civil, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) reconheceu a impossibilidade de se dar efic\u00e1cia retroativa a uma escritura p\u00fablica firmada em 2015, por meio da qual os ent\u00e3o companheiros reconheceram uma uni\u00e3o est\u00e1vel de 35 anos e fixaram o regime de separa\u00e7\u00e3o dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":2420,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[25,229,7202,4857,2266,2770,2772,16,7204,7157,7203],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2558"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2558"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2559,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2558\/revisions\/2559"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2420"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}