{"id":2756,"date":"2022-10-04T13:17:10","date_gmt":"2022-10-04T13:17:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/?p=2756"},"modified":"2022-10-04T13:17:10","modified_gmt":"2022-10-04T13:17:10","slug":"trabalhador-com-transtorno-bipolar-despedido-apos-discussao-devera-ser-reintegrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/trabalhador-com-transtorno-bipolar-despedido-apos-discussao-devera-ser-reintegrado\/","title":{"rendered":"Trabalhador com transtorno bipolar despedido ap\u00f3s discuss\u00e3o dever\u00e1 ser reintegrado"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"titulo-noticia\">Trabalhador com transtorno bipolar despedido ap\u00f3s discuss\u00e3o dever\u00e1 ser reintegrado<\/h2>\n<div>In\u00edcio do corpo da not\u00edcia.<\/div>\n<div id=\"id3\" class=\"conteudo-noticia\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.trt4.jus.br\/portais\/media-noticia\/464244\/2021.07.09%20-%20bipolar%20810p.jpg\" alt=\"2021.07.09 - bipolar 810p.jpg\" width=\"600\" height=\"399\" \/>Um trabalhador de uma empresa p\u00fablica de economia mista que foi despedido ap\u00f3s se envolver em um desentendimento com sua chefe dever\u00e1 ser reintegrado, pois sofre de transtorno bipolar. A decis\u00e3o \u00e9 do juiz Ary Faria Marimon Filho, da 28\u00aa Vara do Trabalho de Porto Alegre, e foi confirmada pela 6\u00aa Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 4\u00aa Regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O trabalhador foi admitido na empresa p\u00fablica por concurso, em 2003, e despedido em 2019, sob a alega\u00e7\u00e3o de desleixo (des\u00eddia) com sua atividade e insubordina\u00e7\u00e3o, ap\u00f3s duas sindic\u00e2ncias instauradas. A primeira decorreu de ele ter usado ferramentas e recursos da empresa em benef\u00edcio pr\u00f3prio, e a outra resultou de atitude agressiva e descontrolada em uma discuss\u00e3o com sua coordenadora.<\/p>\n<p>Ao analisar o caso, o juiz Ary Marimon afirmou sua convic\u00e7\u00e3o de que os funcion\u00e1rios de empresas p\u00fablicas de economia mista s\u00f3 podem ser desligados se houver motivo, e reconheceu ter havido o devido procedimento investigativo antes da despedida. No entanto, apontou haver impedimento legal para o ato, pois o empregado estava doente \u00e0 \u00e9poca e, por essa raz\u00e3o, sem condi\u00e7\u00f5es de trabalhar.<\/p>\n<p>Marimon destacou a farta documenta\u00e7\u00e3o trazida ao processo, comprovando a grave doen\u00e7a depressiva que afligia o trabalhador, submetido a tratamento por medicamento de uso cont\u00ednuo e acompanhamento m\u00e9dico. O empregado chegou a tentar o suic\u00eddio mais de uma vez, referiu o magistrado, acrescentando que, em diferentes momentos de 2016 e 2018, o autor precisou ser afastado da atividade e receber aux\u00edlio-doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O julgador pontuou que, ap\u00f3s o conflito com sua coordenadora, teria sido adequado transferir o empregado para outro setor, mas isso n\u00e3o ocorreu. Ressaltou que \u201csem emprego n\u00e3o h\u00e1 sal\u00e1rio, nem v\u00ednculo com a Previd\u00eancia Social, dificultando o tratamento da doen\u00e7a, sendo pouco prov\u00e1vel nova coloca\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho\u201d. Marimon declarou nulo o ato de despedida e, por perceber perigo de dano decorrente da falta de dinheiro para a subsist\u00eancia do trabalhador e de sua fam\u00edlia, determinou, por antecipa\u00e7\u00e3o de tutela, a imediata reintegra\u00e7\u00e3o do empregado quando houvesse sua alta previdenci\u00e1ria. Assegurou, ainda, a reinclus\u00e3o dele no plano sa\u00fade da empresa.<\/p>\n<p>A relatora do recurso, desembargadora Beatriz Renck, refor\u00e7ou a import\u00e2ncia dos depoimentos das testemunhas, que corroboram a extrema gravidade da situa\u00e7\u00e3o do empregado e o amplo conhecimento de todos os envolvidos quanto a isso. A magistrada minimizou a gravidade da primeira transgress\u00e3o, pois n\u00e3o ficou demonstrado qualquer preju\u00edzo econ\u00f4mico ou t\u00e9cnico, bastando ser dada uma advert\u00eancia. Sobre o epis\u00f3dio com a coordenadora, a julgadora reiterou o diagn\u00f3stico de transtorno afetivo bipolar, com evolu\u00e7\u00e3o h\u00e1 14 anos, \u00e0 \u00e9poca. E, como o atrito aconteceu no dia de retorno ao trabalho ap\u00f3s um dos afastamentos pela doen\u00e7a, a julgadora ponderou que a avalia\u00e7\u00e3o de aptid\u00e3o dada ao empregado \u201cn\u00e3o significa que a sua enfermidade havia desaparecido, mas apenas, sob o olhar do perito, que n\u00e3o estava ensejando a sua incapacidade no momento\u201d.<\/p>\n<p>O voto de Beatriz manteve a senten\u00e7a e foi acompanhado pelos demais participantes do julgamento: desembargadores Fernando Luiz de Moura Cassal e Simone Maria Nunes. A empresa j\u00e1 recorreu ao Tribunal Superior do Trabalho.<\/p>\n<\/div>\n<div>Fim do corpo da not\u00edcia.<\/div>\n<div class=\"fonte-noticia\">Fonte: Texto de In\u00e1cio do Canto (Secom\/TRT-RS), foto ilustrativa de Michal Matlon (Unsplash)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhador com transtorno bipolar despedido ap\u00f3s discuss\u00e3o dever\u00e1 ser reintegrado In\u00edcio do corpo da not\u00edcia. Um trabalhador de uma empresa p\u00fablica de economia mista que foi despedido ap\u00f3s se envolver em um desentendimento com sua chefe dever\u00e1 ser reintegrado, pois sofre de transtorno bipolar. 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