{"id":3264,"date":"2024-07-16T01:29:02","date_gmt":"2024-07-16T01:29:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/?p=3264"},"modified":"2024-07-16T01:29:02","modified_gmt":"2024-07-16T01:29:02","slug":"guarda-compartilhada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.ortizcamargo.com.br\/noticias\/guarda-compartilhada\/","title":{"rendered":"Guarda compartilhada"},"content":{"rendered":"<p>A guarda compartilhada \u00e9 um instituto jur\u00eddico que visa garantir a conviv\u00eancia equilibrada e o exerc\u00edcio conjunto das responsabilidades parentais ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o ou div\u00f3rcio dos pais. Com a reforma do C\u00f3digo Civil, promovida pela Lei n\u00ba 13.058\/2014, a guarda compartilhada passou a ser a regra no ordenamento jur\u00eddico brasileiro, salvo em situa\u00e7\u00f5es excepcionais que justifiquem a ado\u00e7\u00e3o de outro modelo de guarda.<\/p>\n<p>A principal altera\u00e7\u00e3o introduzida pela reforma foi o estabelecimento da guarda compartilhada como a op\u00e7\u00e3o preferencial, ainda que n\u00e3o haja acordo entre os pais. O artigo 1.584 do C\u00f3digo Civil foi modificado para prever que, &#8220;quando n\u00e3o houver acordo entre a m\u00e3e e o pai quanto \u00e0 guarda do filho, ser\u00e1 aplicada, sempre que poss\u00edvel, a guarda compartilhada&#8221;. Essa mudan\u00e7a tem como objetivo principal assegurar o direito da crian\u00e7a \u00e0 conviv\u00eancia familiar plena, promovendo a participa\u00e7\u00e3o ativa de ambos os genitores na sua cria\u00e7\u00e3o e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A jurisprud\u00eancia atual tem refletido a ado\u00e7\u00e3o da guarda compartilhada como padr\u00e3o. Tribunais de todo o pa\u00eds t\u00eam reafirmado a import\u00e2ncia de ambos os pais estarem presentes na vida dos filhos, mesmo ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o. Em uma decis\u00e3o recente, o Superior Tribunal de Justi\u00e7a (STJ) ressaltou que &#8220;a guarda compartilhada deve ser priorizada, pois contribui para a forma\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel e equilibrada da crian\u00e7a, fortalecendo os la\u00e7os afetivos com ambos os genitores&#8221;.<\/p>\n<p>Um exemplo significativo pode ser visto no julgamento do Recurso Especial n\u00ba 1.629.470\/SP, em que o STJ destacou que a guarda compartilhada &#8220;n\u00e3o se confunde com a altern\u00e2ncia de resid\u00eancias, mas sim com a responsabiliza\u00e7\u00e3o conjunta e o exerc\u00edcio de direitos e deveres do pai e da m\u00e3e que n\u00e3o vivam sob o mesmo teto, concernentes ao poder familiar dos filhos comuns&#8221;. Esse entendimento refor\u00e7a que a guarda compartilhada n\u00e3o necessariamente implica em altern\u00e2ncia de moradia, mas sim na divis\u00e3o equilibrada de responsabilidades e decis\u00f5es sobre a vida dos filhos.<\/p>\n<p>Outro aspecto importante \u00e9 a considera\u00e7\u00e3o do melhor interesse da crian\u00e7a, que permanece como princ\u00edpio norteador em todas as decis\u00f5es relacionadas \u00e0 guarda. Situa\u00e7\u00f5es excepcionais, como casos de viol\u00eancia dom\u00e9stica, abuso ou qualquer outro fator que possa colocar em risco o bem-estar da crian\u00e7a, podem justificar a ado\u00e7\u00e3o de um modelo de guarda diferente. A jurisprud\u00eancia tem sido clara ao afirmar que o juiz deve avaliar cada caso de forma individualizada, sempre priorizando a prote\u00e7\u00e3o integral da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a reforma do C\u00f3digo Civil de 2014 trouxe avan\u00e7os significativos ao promover a guarda compartilhada como regra, incentivando a corresponsabilidade parental e o envolvimento equilibrado de ambos os pais na vida dos filhos. A jurisprud\u00eancia atual tem refor\u00e7ado essa diretriz, destacando a import\u00e2ncia do conv\u00edvio pleno e do exerc\u00edcio conjunto das responsabilidades parentais, sempre com foco no melhor interesse da crian\u00e7a.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guarda compartilhada \u00e9 um instituto jur\u00eddico que visa garantir a conviv\u00eancia equilibrada e o exerc\u00edcio conjunto das responsabilidades parentais ap\u00f3s a separa\u00e7\u00e3o ou div\u00f3rcio dos pais. 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